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Vorcaro diz que PT foi quem mais levou grana do Master


O escândalo do Banco Master expõe mais uma vez as sombras das relações perigosas entre o mundo financeiro irregular e figuras centrais do PT no governo Lula. O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master – instituição liquidada pelo Banco Central por fraudes bilionárias –, negocia uma delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. 

Apesar de o acordo ainda não ter sido selado, as investigações e documentos já revelados pintam um quadro incômodo: pagamentos elevados, contratações milionárias e acessos privilegiados a integrantes da cúpula petista. Entre os pontos mais delicados está a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como consultor do banco.

Relatos indicam que Mantega recebia cerca de R$ 1 milhão por mês, num arranjo que teria sido articulado a pedido do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A justificativa oficial para os serviços soa frágil diante do volume de recursos envolvidos e do histórico de irregularidades do Master.

Jaques Wagner, um dos mais influentes nomes do PT baiano, aparece repetidamente no centro das conexões. Sua nora teria recebido pelo menos R$ 11 milhões do banco por meio de uma empresa, segundo reportagens. Wagner também é ligado a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, em negócios como a CredCesta.

Publicamente, o senador se diz “tranquilo e calmo” com a possibilidade de delação, mas o volume de contatos e repasses levanta questionamentos sobre a real natureza dessas relações. O próprio presidente Lula não escapou do radar. Vorcaro se reuniu com ele no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial, em dezembro de 2024, levado justamente por Mantega.

O encontro ocorreu num momento em que o banco buscava articulações junto ao governo, inclusive para possível venda ao BRB – operação que depois se revelou problemática. Lula minimiza o caso como “técnico”, mas a proximidade com um banqueiro agora preso por fraudes contra o sistema financeiro gera desconforto político.

O caso ainda menciona o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que prestou consultoria jurídica ao Master, e alertas internos no governo sobre o risco de a delação “puxar” o PT para o centro do escândalo. Enquanto o Palácio do Planalto tenta se descolar das conexões baianas – que envolvem também o ministro Rui Costa –, as novas propostas de colaboração de Vorcaro ampliam detalhes sobre relações com autoridades dos Três Poderes.

O Banco Master operou por anos com fraudes que lesaram o sistema financeiro em valores que chegam a dezenas de bilhões. Pagamentos e contratações a políticos e ex-autoridades, independentemente do partido, alimentam suspeitas de tráfico de influência e busca por proteção.

No caso de figuras do PT, o constrangimento é maior: o partido que chegou ao poder prometendo ética e combate à corrupção vê, mais uma vez, seus nomes enredados em um esquema de grande porte. Até o momento, não há condenações definitivas contra os citados, que negam irregularidades e afirmam que os contatos eram legítimos.

Mas o simples fato de um banqueiro investigado por fraudes graves ter tido tanto acesso e repassado tantos recursos a esse círculo reforça a percepção de que, no Brasil, certas portas do poder permanecem perigosamente entreabertas para quem sabe bater nelas com dinheiro. A delação de Vorcaro, se avançar, promete aprofundar esse mal-estar.

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