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Uma festa de falsidade onde as pessoas só querem aparecer

Ufa, chegamos a mais um Natal. 2012, ano que se finda como os demais, ou um pouco além do que já estamos acostumados a ver. Data em que a maioria dos humanos se converte em personas amáveis cheias de bondade - pelo menos, da boca pra fora.

Feliz Natal – é a frase sonora que mais se ouve daqueles que se acham gentis e bondosos. Abraços, beijos, saudações e outras citações incomodam os tímpanos durante as festividades de Natal e Ano Novo. Tudo isso, na sua grande maioria, não passa de mera ocasião.

E por que será que isso só acontece durante essas datas? Por que não é costumeiro o ano inteiro? Ou as pessoas só merecem ser felizes nesta época do ano? Fico a me perguntar!

Na verdade mesmo, tudo não passa de entusiasmo pela comilança, pela farra de bebidas e troca de presentes. No fundo, a razão maior da comemoração fica relegada a orgia e falsidade. Quem tem mais dinheiro se esmera no luxo de ceias fartas e grandiosas. Aos meros expectadores da sorte, somente um olhar triste à distância.

É a festa de quem pode mais. Em raríssimos casos, alguém incomodado se lança na aventura de compartilhar com os desafortunados aquinhoando-os com uma sobra de comida, um trapo de roupa ou um brinquedo usado para amenizar os traços explícitos da falta de sorte no semblante tristonho de uma criança que nunca viu o tal Papai Noel.

Um Papai Noel elitista, burguês, exigente e interesseiro. Um Papai Noel que prefere as chaminés, a uma porta de papelão, uma casa de barro coberta de palha. Esse Papai Noel dos shoppings não suja os pés nos guetos, nos morros e favelas, anda de helicóptero e automóveis com ar-refrigerado para manter a tradição de marajá.

Ah, Natal! Quantas tristezas tu já provocastes em vários lares deste Brasil e do mundo! Mesmo sabendo tratar-se de uma data comemorativa apenas simbólica sobre o nascimento de Jesus Cristo – embora não se tenha dados concretos sobre seu nascimento – esse dia para muitos é um dia de tristeza, de isolamento e angústia. Sabe por quê? Porque esse é um dia de quem pode mais.

E neste país, os que podem mais podem tudo, inclusive roubar sem ser preso. Nossa nação ainda tem, na grande maioria, pessoas ganhando salário mínimo para se alimentar, vestir, pagar altos impostos, manter a saúde e a esperança. O país do PT e dos mensaleiros corruptos protegidos pelo STF – Superior Tribunal Federal e Câmara Federal não pode se dar ao luxo de comemorar um Natal feliz às vistas dos que subtraem uma lata de sardinha, um ovo ou um pedaço de sabão para saciar suas necessidades.

Um feliz Natal no Brasil só pode ser bem comemorado por aqueles que saqueiam as prefeituras, os governos, os órgãos públicos e as pessoas de boa fé. Nos dias de hoje, o Menino Jesus jamais poderia nascer entre nós pelo risco de ter seus presentes ofertados pelos Reis Magos, surrupiados para custear campanhas eleitorais.

Não, isto não é Natal. É uma fanfarra de brios e luxúrias entre aqueles que lhes tiraram a oportunidade de compartilhar a data. Seja pela compra do voto, seja pelas mentiras pregadas ao longo das campanhas eleitorais feitas de porta em porta como se fossem Papai Noel. Chega de Natal, chega de mentiras e promessas que não podem cumprir. O Menino Jesus não está gostando disto!

O mais poderoso dos homens nasceu no mais humilde lugar para fazer valer a simplicidade, o amor e a justiça. Te odeio, Natal. Não pelo simbolismo, mas sim, pelo egoísmo do poder, a pujança, a falsidade e a mentira. E ao finalizar, não vou desejar feliz Natal a ninguém pelo simples fato de que nos 365 dias do ano, há espaço para fazer isso sem que precisemos esperar uma única data para fazê-lo.

Vilson Santos

 

 

 




 

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