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Parque da Capivara pode fechar e Niéde vai embora

Pedra Furada: rara beleza no semiárido do Piauí

A arqueóloga Niéde Guidon, há mais de quarenta anos no Piauí, pode estar deixando o seu maior patrimônio: o Museu do Homem Americano – FUMDHAM, por não ter mais condições de trabalho, falta de incentivos financeiras e abandono das autoridades. Após colocar o Piauí, um dos mais pobres da federação, no mapa turístico mundial, a guerreira decide morrer em outro lugar.

Toda sua vida foi dedicada à luta por descobertas arqueológicas no Parque Nacional da Serra da Capivara, município de São Raimundo Nonato, a 530 quilômetros da capital, Teresina. Após percorrer todos os corredores dos palácios de governo e ver tudo que construiu ir por água a baixo, se aposenta da labuta e dar por vencida a vontade dos abutres políticos.

O começo da destruição

A crise começou há mais ou menos dez anos, quando a UMDHAM demitiu os últimos resistentes, cerca de 60 pessoas, na última quinta-feira (26/07), que trabalhavam para manter o Parque Nacional Serra da Capivara funcionando, por conta da não quitação da folha de pagamento. Apenas quatro pessoas estão mantidas no Parque para fazer o básico no local.

A direção do parque disse que o problema poderia ter sido evitado. Em 2016, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, entrou na Justiça com uma ação civil pública obrigando a União, o IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a destinarem um valor de mais de R$ 3 milhões para a manutenção do parque.


Niéde Guidon no início do trabalho e agora, totalmente mudada pelo tempo

Uma parte da verba foi liberada no começo de 2017, cerca de R$ 700 mil, e o resto está bloqueado na Justiça. O presidente da OAB-PI, Chico Lucas, diz não saber o motivo da não liberação da verba. "Era bom que a Justiça Federal se manifestasse porque razão não houve a liberação desses recursos já que eles estavam à disposição do parque e da fundação", disse.

A advogada do parque informou que fez uma petição para a liberação de uma parte dos recursos, mas o juiz responsável pelo processo está de férias. Considerado Patrimônio Mundial da Unesco, o Parque Nacional da Serra da Capivara pode encerrar suas atividades no final do mês de Julho. A informação foi confirmada pela Arqueóloga Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano, que estuda demitir os últimos funcionários que ainda atuam no local.

A falta de recursos financeiros ameaça o funcionamento do parque, que reúne em seus mais de 90 mil hectares um dos mais importantes acervos de vestígios do período pré-histórico no país. Nos últimos anos, o parque teve uma queda significativa no número de funcionários. Dos 270 que atuavam no local, apenas 30 permanecem trabalhando, todos com aviso prévio de demissão.

Além disso, das 28 guaritas de proteção, apenas seis continuam funcionando. Nos últimos meses, os repasses oriundos do governo federal e empresas privadas, praticamente, esgotaram, o que obrigou a administração do Parque a cortar gastos e demitir funcionários. A última esperança para a sobrevivência do trabalho é a cumprimento da decisão judicial proferida em fevereiro pelo juiz federal Pablo Baldivieso, que determinou a União repasse, de maneira emergencial, R$ 4.493.145 para que seja feita a manutenção e conservação do parque.

Por conta de uma série de impasses judiciais, o recurso nunca chegou às mãos dos administradores da Serra da Capivara. Segundo Niède Guidon, se isso não acontecer até o próximo dia 30 de julho, a Fundação Museu do Homem Americano - FUMDHAM - pode demitir os últimos 30 funcionários, e encerrar suas atividades no Piauí.

“O único recurso que temos assegurado é esse que o juiz determinou, mas até agora não foi repassado ao parque. Se o dinheiro não chegar até 30 de julho, não vamos ter condições de realizar o pagamento dos funcionários. O parque, praticamente, vai fechar as portas”, pontua.

Niède Guidon afirma ter tirado recursos do próprio bolso, para pagar os funcionários do parque, nos últimos meses. “Tive que usar do meu dinheiro pessoal, só que não posso mais ficar gastando”, comenta a arqueóloga, ao lembrar que para a manutenção do Parque Nacional da Serra da Capivara são necessários, pelo menos, R$ 400 mil mensais.

Além do pagamento dos funcionários, o parque necessita de uma reforma emergencial em sua estrutura. Grande parte das guaritas está danificada, o que facilita a ação de vândalos e de caçadores no interior das dependências da Serra da Capivara.

Ao falar sobre a situação do Parque Nacional da Serra da Capivara, projeto a qual dedicou grande parte de sua vida, Niède Guidon lamenta, e diz que, caso os recursos não venham, pretende ir embora do Piauí. “O Sentimento que fica é que perdi meu tempo. Fizemos um parque nacional com estrutura de primeiro mundo, mas, no Brasil, não funciona”, pontua.

O Parque

Localizado em São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina, o Parque Nacional Serra da Capivara é um conjunto de chapadas e vales que abrigam sítios arqueológicos com pinturas e gravuras rupestres, além de outros vestígios do cotidiano do homem pré-histórico.

Sobre um relevo acidentado, em uma região de clima semiárido, períodos alternados de chuva e de seca promovem fortes mudanças na paisagem. Em um momento, a vegetação é exuberante e há uma surpreendente diversidade de flores de cores vivas. Em outro, a vegetação seca e perde suas folhas. É quando as formações rochosas se destacam sobre a vegetação desnudada.

Os registros rupestres, pintados ou gravados sobre as paredes rochosas, são formas gráficas de comunicação utilizadas pelos grupos pré-históricos que habitaram a região do Parque. As representações abordam uma grande variedade de formas, cores e temas. Foram pintadas cenas de caça, sexo, guerra e diversos aspectos da vida cotidiana. O estudo desses registros possibilita o reconhecimento de temas recorrentes e a identificação de diferentes maneiras de representá-los.

Voluntários buscam

Sensibilizados com a situação delicada do Parque Nacional Serra da Capivara, um grupo de voluntários decidiu fazer uma mobilização nas redes sociais, para tentar conseguir recursos financeiros e alertar as autoridades para a importância da preservação do acervo de gravuras e pinturas pré-históricas do local. A partir disso, surgiu o movimento S.O.S Serra da Capivara, que já possui cerca de 4 mil seguidores no Facebook.

CONEÇA MAIS UM POUCO SOBRE O TRABALHO DE NIÉDE GUIDON

O Movimento ganhou apoio dos membros de um grupo composto por grandes profissionais nas áreas da Arqueologia, Historia, Geografia, Antropologia, entre eles professores e estudantes de vários Estados do Brasil. A intenção é a de criar uma rede colaborativa para ajudar a manutenção do Parque.

“Tem muita gente que é encantada com aquele lugar, mas não sabia o que fazer para ajudar. Lancei a proposta para um grupo de amigos, a partir daí, começamos a mobilização”, relata o pernambucano Tiago Melo, um dos idealizadores do S.O.S Serra da Capivara.

Antes de iniciar as ações, os membros do movimento entraram em contato com representantes da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), para conhecer de perto as principais demandas do parque. “O objetivo principal do S.O.S é divulgar a necessidade que o parque vem passando, tanto de apoio financeiro, como de ajuda de voluntários”, comenta Tiago.

Voluntários de vários estados do país colaboram com o movimento, na tentativa de dar uma maior visibilidade ao Parque. As postagens nas redes sociais são repassadas para empresas, artistas, e políticos, para ampliar a divulgação do movimento. “Procuramos fazer o máximo possível para deixar claro para as pessoas o que se passa no Parque Nacional Serra da Capivara. Isso começou a dar bons resultados. A divulgação das necessidades do Parque sensibilizou outras pessoas”, pontua.

O S.O.S Serra da Capivara não recebe nenhum tipo de contribuição financeira. Nas postagens, são repassadas as contas oficiais da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham). “As pessoas podem nos ajudar curtindo a página, e compartilhando as postagens com os amigos. quanto mais pessoas, melhor, pois vamos ter mais visibilidade”, afirma. 

Estudantes se unem preservação do Parque

Outra iniciativa que busca ajudar a manter o Parque Nacional Serra da Capivara é a “Expedição Serra da Capivara”. A mobilização surgiu de um grupo de alunos paulistanos que, anos atrás, visitaram o local durante uma excursão escolar. Ao tomarem conhecimento das dificuldades enfrentadas para manter o funcionamento do parque, os estudantes decidiram criar o projeto.

Entre os objetivos do grupo está o de aumentar a visibilidade do potencial turístico da Serra da Capivara, e aproximar as comunidades do entorno do parque, através de projetos colaborativos. “O nosso objetivo é servir de instrumento para ajudar o parque a se desenvolver, e ajudar a população a se desenvolver, da forma como eles desejam. Tudo de baixo pra cima, e construído em conjunto”, explica Maria Vitória Ramos, uma das idealizadoras da ação.

No próximo dia 11 de Julho, os estudantes fazem a primeira viagem oficial da “Expedição Serra da Capivara”. O Trabalho em São Raimundo Nonato e regiões vizinhas vai ser divido em dois eixos principais: relacionamento com a comunidade e estudo do potencial turístico da região.

“A ideia é que seja uma expedição de reconhecimento. Vamos lá estudar, entender, e mapear as necessidades e os desejos da população, das instituições. A partir daí, vamos construir quais projetos que vão ser, de fato, implementados”, explica.

Para conseguir êxito nos projetos implementados na Serra da Capivara, os voluntários pretendem estabelecer um contato mais próximo com estudantes das regiões vizinhas. “São eles que vão estar lá diariamente, e conhecem a realidade local. Quem vai conduzir o dia a dia dos projetos são eles, nós queremos ser uma rede de apoio”, pontua Maria Vitória.

Através das redes sociais, o projeto da Expedição Serra da Capivara ganhou corpo, e passou a contar com a participação de estudantes de diversas regiões do país. “A gente é jovem, da geração da cultura colaborativa. Então, nosso projeto está sendo construindo a partir do que as pessoas vão agregando no grupo. Para ajudar, basta entrar na nossa página no Facebook ”, explica.




 







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