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O meteoro Witzel

31/07/2020

Lier Pires Ferreira, PhD em Direito. Professor do Ibmec e do CP2

Segundo a União Astronômica Internacional, 1919, meteoros são fenômenos que ocorrem quando fragmentos de rochas de dimensões medianas entram em contato com a atmosfera, produzindo um fenômeno luminoso popularmente conhecido como estrela cadente. Embora quase duas dezenas de meteoros caiam diariamente sobre a Terra, só há um caso documentado de um ser humano atingido por um deles. Em 1954, a estadunidense Ann Hodges foi alvejada por um meteoro de 3,8 quilos, que perfurou o telhado de sua casa e atingiu seu quadril. O fato, raríssimo, explica porque a chance de morrer atingido por um meteoro é praticamente inexistente, estando na casa de uma para um milhão e seiscentas mil.

Raros no atingimento aos humanos, meteoros também são incomuns na política. No Rio de Janeiro, o mais fulgurante deles foi Wilson Witzel, o ex-magistrado federal que “causou” nas últimas eleições para o governo do estado. Absolutamente desconhecido pelos eleitores, Witzel saiu de inexpressivos 1% diretamente para o Palácio Guanabara, sede do governo.

Witzel foi eleito no rastro do neoconservadorismo que varreu o país nas eleições de 2018. Oportunista, associou-se ao clã Bolsonaro e teve a mais espetacular ascensão de um político na história recente do Rio de Janeiro. Bem articulado, surfou habilmente a onda anticorrupção que inundou o país no rastro do fracasso histórico do lulopetismo. Lavajatista, teve sua candidatura beneficiada pela liberação seletiva feita pelo juiz Marcelo Bretas do depoimento do ex-secretário de obras da prefeitura, Alexandre Pinto, que, há poucos dias da eleição, acusou o principal oponente de Witzel, o ex-prefeito Eduardo Paes, de receber propinas da Odebrecht. Neopopulista, buscou estabelecer fortes relações midiáticas com o eleitorado, como a patética cena na qual comemorou a morte do sequestrador de um coletivo em plena Ponte Rio-Niterói.

Mas assim como os meteoros, Witzel parece ter um brilho fugaz. Novato na política, cometeu erros em cascata. Eleito por um partido inexpressivo, o PSC/RJ, Witzel teve inicialmente grandes dificuldades para compor seu secretariado e para preencher os escalões inferiores do governo. Para fazê-lo, recorreu a “felpuldas raposas” da política local, comprometendo-se com a “velha política” que jurou combater. Em seguida, abraçando o pecado da vaidade, brigou com o clã Bolsonaro, lançando-se precocemente como candidato à presidência em 2022. Foi o início do fim...

Em queda de braço com a família presidencial, perdeu apoio parlamentar depois que foi divulgada a notícia de que deputados estaduais estavam sendo ilegalmente grampeados. Mas o tiro de misericórdia em sua trajetória se deu no contexto da Covid-19. Aproveitando-se da pandemia, Witzel mergulhou no mar de lama da corrupção, sendo suspeito de desviar milhões dos cofres públicos, em um esquema criminoso semelhante ao do ex-governador Sérgio Cabral. Tal como a rede cabralina, o witzelgate envolveu empresários, organizações sociais, pastores e uma série de políticos, arrastando até mesmo a primeira-dama, Helena Witzel, triste caricatura de Adriana Ancelmo, cúmplice de seu ex-marido, Sérgio Cabral, em diferentes crimes.

Tolo, Witzel abriu mão de sua carreira na magistratura em função de um improvável futuro político. Surpreendentemente bem-sucedido, deixou-se levar pela soberba e traiu a confiança de seu eleitorado ao chafurdar na corrupção. Estrela decandente da política brasileira, Witzel agora corre o risco de perder seu mandato e restar trancafiado nas mesmas masmorras que hoje acolhem Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, e que, há não muito tempo, abrigavam dois outros ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony e Rosinha Garotinho. O Rio secou, mais uma vez...




 







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