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A fulanização das forças armadas 

28/10/2020

Lier Pires Ferreira
Professor Titular do Ibmec e do Cp2. Pesquisador do Lepdesp/Uerj

O general Colin Powell é um dos militares mais destacados da história dos Estados Unidos. Negro, nascido ao final dos anos 1930, foi comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, tendo liderado importantes ações militares como a Operação Tempestade no Deserto, no alvorecer dos anos 1990. Embora seja sempre visto como potencial candidato à presidência da república pelo Partido Republicano, Powell jamais aventurou-se na política, tendo limitado-se à função de Secretário de Estado no governo Bush, filho, após ter passado para a reserva.

No Brasil, todavia, a presença dos militares na política é uma constante desde o final da Guerra do Paraguai (1864-1870), tendo alcançado seu primeiro grande momento com a proclamação da República, em 1889. Desde então, os militares estiveram frequentemente entre os protagonistas da política nacional, não raro conspirando e agindo contra a ordem democrática, sempre que os rumos do país não se coadunaram com suas perspectivas políticas e ideológicas.

A participação dos militares na política foi significativamente reduzida após a redemocratização do país. Entretanto, como bem sinalizou o pesquisador Luiz Alexandre da Costa, em artigo recém-publicado no Estado de São Paulo, a subordinação dos militares ao poder civil era uma tarefa até aqui incompleta. Como uma das expressões desta incompletude, Costa cita o então comandante militar do sul, general Hamilton Mourão, hoje vice-presidente da república, que, nos estertores do governo Dilma Rousseff, conclamou seus irmãos de armas a despertarem “para a luta patriótica”. Essa foi uma clara insubordinação, de um militar que rompeu com a lógica da hierarquia e da disciplina que o subordinaria ao poder da presidente de república.

O governo Bolsonaro, contudo, não apenas parece ter enquadrado a caserna como, também, vem se especializando em desmoralizá-la. Ex-capitão do Exército, instituição da qual foi desligado por condutas incompatíveis com a vida militar, Bolsonaro, que outrora pertenceu à base política do governo Lula, parece viver uma relação de amor e ódio com seus ex-companheiros de farda. Se por um lado os adula, alocando-os aos milhares na estrutura do governo federal e ampliando seus soldos, em particular para as patentes mais elevadas, por outro humilha reiteradamente seus oficiais mais graduados, parecendo querer espezinhá-los.

Os casos mais recentes se deram com o general Eduardo Pazuello, ainda na ativa, e Luiz Eduardo Ramos, ex-comandante militar do Sudeste. Alçado ao ministério de Saúde, Pazuello foi publicamente desautorizado pelo capitão-presidente no contexto da nova “guerra da vacina”. Após, ainda se prestou a gravar um vídeo junto ao presidente, no qual afirmou, tolamente, que “um manda e o outro obedece”. Já Ramos, hoje titular da secretaria de governo, foi desqualificado por Ricardo Salles, o incendiário ministro do meio-ambiente, que publicamente o chamou de #mariafofoca. Maria fofoca? Esse é o tratamento público a um general que ocupa uma função em nível ministerial? Parece que sim...

Em seu clássico A luta pelo Direito, o jus-filósofo alemão Rudolf von Ihering destacou que a honra é o valor mais importante para os militares. Ao humilhar reiteradamente membros do seleto generalato brasileiro, Bolsonaro “fulaniza” as forças armadas, podando sua dignidade. Destituídos de sua honra, militares podem ser facilmente cooptados para os subterrâneos da política. Afinal, como declarou Rêgo Barros, ex-porta-voz do governo e outro dos generais acidamente fritados por Bolsonaro, o “poder inebria e corrompe”. Até quando?




 







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