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“Cala boca, preto”

Lier Pires Ferreira
Professor do Ibmec e do CP2. Pesquisador do LEPDESP

31/12/2020

Há algumas semanas, o técnico Jorge Jesus, que brilhou no Flamengo em 2019 e hoje tem seu trabalho questionado junto ao Benfica, manifestou-se tristemente sobre o episódio em que jogadores do PSG/França e Istanbul Basaksehir/Turquia, abandonaram uma partida da Champions League em protesto a um comentário racista proferido por um dos árbitros da partida. Questionado sobre o fato, o Mister mostrou sua desconexão com as grandes questões sociodesportivas da atualidade, afirmando, em tom blasé, que “está muito em moda isso de racismo”.

Jorge Jesus é português e, portanto, nacional do primeiro país colonialista da história moderna. Ainda em 1415, Portugal conquistou a cidade de Ceuta, na costa marroquina, dando início ao colonialismo europeu. Portugal também foi pioneiro na utilização da mão de obra escrava negra, dando origem a um dos mais brutais regimes escravocratas da história, um regime que se espraiou para todas as grandes potências coloniais europeias entre os séculos XV e XIX, tendo se instalado solidamente no Brasil.

Foi precisamente no Brasil, o maior e mais importante dos territórios coloniais português, que o escravismo deu seu último suspiro. Em 1888, quando todos os demais países do mundo já haviam abolido o regime escravocrata, o Brasil cessou oficialmente a história do escravismo. As heranças nefastas da escravidão, contudo, persistem no país – como em outras partes do mundo -, configurando uma dimensão constitutiva de nossas relações sociais: o racismo estrutural.

As manifestações do racismo no Brasil são cotidianas. Uma das mais significativas dessas manifestações ocorreu no dia 20/12, quando Flamengo e Bahia, dois times de massas, que possuem dentre seus torcedores inúmeros negros, mulatos e mestiços, se enfrentaram pelo “Brasileirão”. O volante Gérson, jogador do Flamengo, acusou o chileno Índio Ramírez de ter lhe dirigido de forma preconceituosa as palavras “Cala a boca, negro”. Na sequência, o técnico Mano Menezes, que, inclusive, já foi treinador do próprio Flamengo, foi enredado no ato racista, por, supostamente, ter minimizado as palavras de Ramírez.


Cena do cotidiano em "branco e preto"

Caberá à polícia apurar o que de fato aconteceu. Mas um fato deve ser destacado: em um país estruturalmente racista, quase todos condenaram o ato de Ramírez que, importante registrar, nega o ocorrido. A condenação uníssona ao racismo – que envolveu dirigentes esportivos, jogadores, torcedores, jornalistas e outros - mostra que, em que pesem os inúmeros desafios, a realidade começa a mudar. Oxalá, de fato, 2021 venha com toda a força, varrendo para o lixo da história as inúmeras chagas que dilaceram o Brasil, dentre as quais estão o racismo, o machismo tóxico, a LGBTfobia e o negacionismo científico, que muito tem contribuído os milhares de mortos por Covid-19 em nosso país. Salve 2021!




 







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