Um contrato de R$ 129 milhões de um banqueiro encalacrado com a esposa de um ministro, troca de mensagens comprometedoras desse mesmo ministro com esse mesmo banqueiro, negócios envolvendo o resort de um outro ministro, nada disso foi capaz de despertar o PGR de seu sono profundo.
Mas bastou um teatro de fantoches ironizando os ministros para que o PGR levantasse de seu berço esplêndido. Poderosos esses fantoches! Claro que, novamente, temos a completa inadequação do foro. Zema, hoje, é cidadão comum.
O decano, se quisesse, poderia acionar a justiça em primeira instância, processando o ex-governador por injúria e calúnia. O PGR deveria ter negado o pedido do ministro liminarmente. Mas daí não seria Paulo Gonet, o amigo de fé, irmão, camarada de Gilmar Mendes. Mas o pior não é nem isso.
O pior mesmo é que a única piada do teatro de fantoches é o pedido de Gilmar por uma estadia no Tayaya, em troca do favor prestado a Toffoli. O resto foi realmente feito à luz do dia, para quem quisesse ver.
A acusação do PGR, de que “Sua Excelência teria colocado a jurisdição a serviço de interesse privado”, é óbvia para quem acompanhou os fatos. Claro que Gilmar não precisava de um “vale Tayaya” para fazer o que fez. O que não significa que não haja outros interesses envolvidos.