O Suposto Tribunal Federal amanheceu generoso no dia 06 de outubro. O Antagonista registrou: “Pressionado por impeachment, Moraes autoriza semiaberto para Débora do Batom”. Daniel Freitas listou o restante do expediente: “Somente hoje: Alexandre de Moraes arquivou os inquéritos contra Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Marcos do Val.”
No mesmo período, Gilmar Mendes mandou arquivar a investigação contra o vice de Flávio, Alfredo Gaspar, que desabafou: “Durante seis meses, minha família e eu enfrentamos uma acusação vil e falsa contra a minha honra.”
A coincidência tem relógio. Jorge Seif Junior cronometrou: “O resultado do primeiro turno foi lido dentro do STF antes de qualquer análise política. Em menos de 48 horas, Moraes e Gilmar Mendes tomaram decisões que beneficiam diretamente o campo bolsonarista.”
Marcel van Hattem perguntou: “Alexandre de Moraes ficou bonzinho de repente? Que curioso...”
E o Estadão, em editorial, mediu o precipício: “Se insistir na soberba e no alheamento à realidade que o cerca, o STF será reformado de fora para dentro, por um Senado eleito claramente com esse propósito”.
Por trás da bondade, uma mesa de negociação. Xico Graziano descreveu: “Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Paulo Gonet deram sinais de armistício, querendo agradar ao bolsonarismo.”
Segundo o perfil Space Liberdade, O Globo noticiou que a Corte “já abre diálogo com Azambuja e Eduardo Gomes, que são considerados ‘não radicais’”. Kim Paim denunciou o flanco interno: “a ala dos liberais tá tentando negociar um acordão”. Traduzindo: acordão é impunidade com firma reconhecida. A matemática explica a pressa. Seif detalhou: “54 de 81 senadores da nova legislatura defenderam publicamente o impeachment de ministro do Supremo. É exatamente o número de dois terços que a liminar de Gilmar Mendes estabelece como necessário para abrir o processo.” A Folha de S.Paulo somou mais um: “Suplente de Moro se filia ao PL e número de senadores pró impeachment de ministros do STF chega a 50”. Van Hattem fechou sem vírgula de dúvida: “pra corrupto de toga, SEM ANISTIA!”
Sobrou até para o síndico do arquivo: Davi Alcolumbre foi abandonado pelo próprio partido, Carol De Toni avisou que não votará nele e André Marsiglia resumiu que Moraes contava com Alcolumbre para barrar impeachment e levou um tombo.
A diferença, desta vez, é que quem decide a pauta não deve o cargo a ministro nenhum.