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Truques para debelar a praga de pombos sem muitos gastos
A praga dos pombos se alastra em Teresina

Você acorda com barulho de asa no telhado, olha a varanda e encontra o parapeito coberto de sujeira branca. Saber como afastar pombos sem gastar fortuna nem machucar os bichos virou preocupação real de muita gente, e o truque mais simples envolve materiais que quase todo mundo tem em casa.

Por que essa presença silenciosa incomoda tanto?

Basta um ninho no forro do telhado para a rotina virar. O barulho começa cedo, as fezes cobrem tudo em volta, o cheiro fica no ar mesmo com janela fechada. E quem tem criança pequena ou pessoa idosa em casa passa a se preocupar de outro jeito: aquela sujeira que parece só estética esconde um risco real de saúde que muita gente ignora até adoecer.

O problema não é o pombo em si. O problema é o número deles no ambiente urbano brasileiro. Sem predadores naturais nas cidades, com alimento sobrando nas ruas e telhado disponível para nidificar, a população cresce sem controle. E aí o incômodo vira caso de saúde pública, com solução que precisa ser prática para caber no bolso e no dia a dia.

Pombos têm visão muito desenvolvida e reagem fortemente a estímulos visuais em movimento e a flashes de luz.

O pombo urbano mais comum no Brasil é a Columba livia, também chamada de pombo-comum ou pombo-das-rochas. É originária da Europa, do norte da África e do Oriente Médio, e chegou por aqui no século XVI trazida como ave doméstica. Se adaptou tão bem que hoje faz parte da paisagem urbana em praticamente todas as grandes cidades brasileiras.

A adaptação foi bem-sucedida porque os edifícios humanos imitam o habitat natural da espécie: paredões rochosos, fendas altas, superfícies planas para pouso. Beiral de casa, telhado, parapeito de varanda, ar-condicionado externo, tudo isso funciona como falésia artificial para o pombo. E com comida sobrando na cidade, a conta fecha para eles.

O truque das superfícies refletivas funciona mesmo?

Funciona, e tem base biológica. Pombos têm visão muito desenvolvida e reagem fortemente a estímulos visuais em movimento e a flashes de luz. Quando você pendura objetos que refletem a luz do sol de forma variável, como CDs velhos, DVDs, papel-alumínio ou fitas metálicas, o brilho intermitente confunde a percepção da ave e sinaliza uma área desconfortável para pouso. Ela simplesmente desvia o voo.

Os principais elementos que compõem essa estratégia caseira:

CDs e DVDs pendurados por barbanteGirando ao vento, refletem a luz solar em várias direções e criam flashes intermitentes que os pombos evitam.

Papel-alumínio em tiras longasAmarrado em cordas ao longo do beiral, balança com o vento e produz brilho parecido com espelho em movimento.

Balões metalizados de festaPresos na varanda ou no jardim, funcionam por semanas até desinflar, especialmente com desenhos de olhos grandes.

Fitas reflexivas de sinalizaçãoVendidas em lojas de materiais de construção, refletem luz em pequenas partículas dispersas pelo tecido.

Objetos decorativos prateadosSinos de metal, catavento e outros ornamentos brilhantes ajudam a manter uma área visualmente hostil para o pombo.

Por que essa preocupação não é frescura de vizinho?

Aqui a coisa fica séria. Segundo material publicado pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, as fezes secas dos pombos, quando são varridas ou removidas, liberam esporas no ar que podem causar doenças respiratórias graves como criptococose e histoplasmose. Além delas, também há risco de salmonelose pelo contato com alimentos contaminados.

Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro reforça que as vítimas dessas doenças em geral são pessoas que convivem com grande quantidade de aves em ambientes fechados, com padrões de higiene deficientes, ou pessoas com sistema imunológico comprometido por outras condições. Ou seja, o risco não é distribuído igual: quem tem varanda tomada por pombo e não faz manutenção precisa se cuidar mais.

Como aplicar a técnica sem transformar a casa em cenário estranho?

A boa notícia é que dá para ser eficaz sem virar zona de guerra visual. Alguns cuidados de aplicação:

·        Instalar os objetos refletores nos pontos onde os pombos costumam pousar (beiral, parapeito, telhado, pergolado)

·        Combinar dois ou três elementos diferentes para o efeito não perder força com o tempo

·        Trocar de posição a cada dez ou quinze dias, porque os pombos aprendem rápido

·        Priorizar objetos que se mexem com o vento, já que o movimento amplifica muito o efeito

·        Fechar buracos e vãos entre telhado e forro para eliminar locais de nidificação

·        Recolher restos de comida de animais domésticos e não deixar ração para fora

·        Colocar telas em janelas, ar-condicionado e varandas quando o problema for grande

Nenhuma dessas medidas machuca os pombos. A ideia é justamente convencê-los de que outro lugar da cidade é melhor, sem uso de veneno nem armadilha, o que também estaria fora da lei em muitas cidades brasileiras.

Quais outros métodos funcionam sem prejudicar as aves?

Além do brilho, existem outras estratégias complementares. A tabela abaixo compara as mais usadas para você escolher a combinação certa:

E como limpar as fezes sem correr risco? Essa parte é a mais delicada, e vale seguir orientação de órgão de saúde. O cuidado principal é evitar que a poeira das fezes secas suba no ar. Isso significa nunca varrer a seco. Sempre umedeça a área com água antes de qualquer limpeza.

Os passos básicos são: usar luva, máscara e óculos de proteção; umedecer as fezes com solução de água e cloro (uma parte de cloro para dez de água); recolher o material com pá ou pano e descartar em saco fechado; e enxaguar a superfície ao final. Pessoas com sistema imunológico comprometido, doenças respiratórias ou grávidas devem evitar fazer essa limpeza pessoalmente e pedir ajuda a outra pessoa da casa.

Vale mesmo insistir nos truques caseiros?

Vale, principalmente porque a maior parte dos casos domésticos se resolve com combinações simples de brilho, fechamento de buracos e cuidado com alimento. Não precisa de dedetização profissional na primeira tentativa, nem de venenos, nem de armadilhas. Custa quase nada, protege a família das doenças e ainda evita que os pombos sejam machucados no processo.

Voltando à cena do começo, aquela do barulho de asa no telhado e da sujeira crescendo na varanda: dá para virar o jogo em uma tarde de fim de semana, com material que já está em casa.

Alguns CDs velhos amarrados no fio, papel-alumínio pendurado no beiral, telas em pontos críticos e um combinado familiar para não deixar comida sobrando em área externa. É pouca coisa e resolve muito. Depois, é só manter o hábito de trocar os objetos de lugar a cada duas semanas para o efeito não perder força. Este conteúdo é informativo, e em casos de infestação grande ou de alguém com problema respiratório em casa, o mais indicado é procurar o Centro de Controle de Zoonoses do município.




 

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