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“Salve a batina do bispo Tutu!”

A partida de Tutu reforça a convicção de que a luta pela efetividade dos direitos humanos é uma tarefa inadiável da espécie humana.

Lier Pires Ferreira

PhD em Direito. Professor do IBMEC e CP2. Pesquisador do LEPDESP/UERJ e do NuBRICS/UFF.

A morte do arcebispo Desmond Tutu, aos 90 anos, que venceu o Nobel da Paz em 1984, abre um vácuo civilizatório na luta pelos Direitos Humanos. Junto com Mandela, Tutu pontificou na luta contra o contra o racismo e a opressão na África do Sul. Anglicano, liderou a resistência pacífica contra o apartheid, deixando um legado imensurável de amor, resiliência e respeito.

Seria muito bom que a memória de Tutu repercutisse no Brasil. Contudo, por aqui, políticos pequenos continuam a produzir grandes estragos. O mais recente foi a aprovação do orçamento de 2022, pelo qual corvos e abutres empoleirados no poder restaram alimentados, dentre outros, pelos R$113 bilhões obtidos com a PEC dos Precatórios, pelos R$17 bilhões das emendas “secretas” do relator e pelos R$5 bilhões advindos do fundo eleitoral, famigerado recurso que une direita e esquerda na sangria do erário com vistas às eleições de 2022.

Enquanto isso, a pauta política ferve. Temendo o derretimento da popularidade de Bolsonaro, o fisiológico Centrão age como “beque de espera”. Uma das estratégias em curso é se dividir para continuar no governo, seja ele qual for. Logo, enquanto Bolsonaro busca marqueteiros para sua campanha, partidos e políticos da centro-direita brasileira – que há décadas afiançam os inquilinos do poder – se espalham por diferentes candidaturas, especialmente as de Bolsonaro, Moro e Lula, que, se continuar crescendo, com chances de vitória no 1º turno, terá em sua base aliada muitos dos que festejaram sua prisão. Dessa forma, qualquer que seja o eleito, o Centrão poderá se reaglutinar junto ao poder.

Mas se a política brasileira vai mal, a vida socioeconômica beira ao caos. Andar nas ruas de qualquer grande cidade brasileira é defrontar-se barbaramente com legiões de homens, mulheres e crianças em situação de rua, a maioria negros e mestiços, todos famintos, doentes e desesperançados, alguns postos às raias da loucura. Nenhum deles celebrou o Natal.

Para aqueles que ainda preservam o mínimo de dignidade social, nuvens carregadas ocupam o horizonte até onde a vista pode alcançar. São 13,5 milhões de desempregado e outros tantos desalentados. A esses se juntam milhões de “empreendedores de si mesmo”, autoexplorados, e os que trabalham por “conta própria”, quase todos precariamente inseridos no mercado produtivo. Esse quadro dantesco, antes limitado aos trabalhadores de baixa qualificação, agora é encorpado por um número crescente de técnicos e trabalhadores com formação acadêmica, muitos dos quais mestres, doutores e pós-doutores vitimados pela trágica política econômica do governo, de crescimento zero, que acirra as desigualdades socioeconômicas e tira o sono mesmo dos que estão empregados, posto que vivem sob o medo da perda de suas colocações.

O rol das tragédias socioeconômicas do Brasil não cabe num artigo. Talvez numa enciclopédia... Segurança pública, corrupção, educação, saúde e outros temas cobrarão suas faturas em breve. Mas hoje é um dia de luto para todos os que buscam justiça, liberdade e fraternidade. E lutos devem ser vividos. Como bem apontou o Prof. C. Nicodemos, sem Tutu “ficamos menores na luta civilizatória”. Que sua coragem e resiliências nos inspirem para as duras jornadas de 2022.




 







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