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Chacina como política de (in)segurança

A 26/07/2022

Lier Pires Ferreira. Professor do Ibmec, Fiurj e Cp2. Pesquisador do Lepdesp.

Na madrugada do dia 01 de julho, as polícias de fronteira do Marrocos e da Espanha mataram 40 imigrantes africanos para proteger o modo de vida europeu. Para o premier espanhol, Pedro Sánchez, a responsabilidade pela chacina foi dos criminosos que traficam homens e mulheres da África para a Europa. As polícias foram elogiadas pelos cadáveres.

Julho também foi um mês sangrento no Brasil. No Rio de Janeiro, pelo menos 19 pessoas foram mortas em uma operação policial no Complexo do Alemão entre os dias 21 e 22. Dentre os mortos estão 02 moradores e 01 policial. Pobre custa pouco. Desde que foi efetivado no governo, Cláudio Castro, católico, protagonizou 03 das 05 maiores chacinas policiais da história fluminense: 28 pessoas foram mortas no Jacarezinho, dentre as quais 01 policial. Outras 25 pereceram na Vila Cruzeiro. Agora, são 19 no Alemão. Todas essas chacinas ocorreram em áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV). Pura coincidência.

Herdeiro da política do “tiro na cabecinha” de Wilson Witzel, Castro, o insosso, é politicamente vinculado ao clã Bolsonaro, e, como o capitão-presidente, parece inapto a governar. Por isso, smj, delegou a política de segurança pública do estado às polícias civil e militar, sem mediações, sem controle político e social. Não há MP, nem Judiciário... A chacina no Alemão revela um político despreparado, que concede a esmo “licença para matar”.

Diante da alegada “guerra” contra o crime, é compreensível que um cidadão comum acredite que Castro é um governador enérgico, que não faz concessões ao crime. Também é compreensível que acredite que operações policiais devem ser recorrentes. Afinal, o crime não pode controlar territórios, não pode prevalecer sobre a lei. Contudo, as coisas não são tão simples: segurança pública não é para amadores.

Primeiro, é importante repisar que o Rio de Janeiro não está em guerra: traficantes, milicianos e outros não são soldados; são criminosos. Segundo, há indícios que o governo Castro negocia, sim, com o crime organizado. Para sustentar essa hipótese, vale recordar o caso do então secretário de administração penitenciária do estado, Dr. Rafael, preso (e já solto) quando negociava acordos de pacificação com traficantes do CV no Presídio Federal de Catanduvas/PR. Por fim, em segurança pública, operações policiais são ações tópicas, frutos de inteligência, que visam a cumprir objetivos pré-definidos em locais específicos. Logo, não podem ser banalizadas, devendo ser julgadas por seus resultados.

A operação no Alemão mobilizou mais de 400 agentes, 10 blindados e 04 aeronaves, para apreender 04 fuzis, 02 pistolas e 01 metralhadora. Além disso, dos 05 criminosos presos, nenhum estava entre os alvos da operação. Com resultados pífios, custando milhões de reais, sem contribuir para a elucidação dos crimes e sem mudar a vida nas comunidades, posto que o crime ainda as domina, por que a chacina persiste como política de (in)segurança pública?

Primeiro, elas produzem imagens, narrativas e dividendos eleitorais. E disso pouco políticos abrem mão. Igualmente, movimentam a economia do crime, tanto para firmas de segurança, câmeras de vigilância e transporte de valores, quanto para policiais corruptos, contrabandistas e narcotraficantes. Além do mais, produzem notícias e medo, muito medo.

Mas é na geopolítica do crime que as “operações-chacinas” brilham mais. Elas permitem deslocar o controle territorial de grupos recalcitrantes, como o CV, para outros, quiçá “colaborativos”, como os comandos “amigos”, as milícias e os CAC’s, o novo desafio (ainda) oculto da (in)segurança pública. Elas também valorizam o arrego, desacreditam a polícia e corrompem o sistema de Justiça. Suas necropolíticas queimam “arquivos”, inibem investigações e desestimulam a boa polícia. Elas só servem ao crime. Portanto, fica a dica: matar não é política de segurança. Chacina não gera paz social. Há 40 anos o Rio sustenta uma insana “guerra contra o crime”. Só piorou... e, até aqui, a maior vítima é o cidadão.




 







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