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Paradoxos das Universidades


Aurélio Wander Bastos
Professor Emérito da UniRio. Ex-aluno da UnB

Na história sempre temos surpresas paradoxais, porque os fatos sempre têm efeitos surpreendentes e contraditórios, principalmente quando são esperados. Este ano, por exemplo, coincidentemente comemoramos 100 (cem) de Darcy Ribeiro, um dos históricos políticos e educadores brasileiros, e 60 (sessenta) anos da Fundação Universidade de Brasília - UnB (21.04. 1962, criada pela Lei n° 3998, de 15.12.62), que reformou a educação superior no Brasil, sendo Darcy Ribeiro seu primeiro Reitor.

Estes fatos são inesperados, mas coincidentes, porque Darcy Ribeiro foi um Reitor, que, na história de sua vida, respondeu também como Ministro da Educação e Chefe da Casa Civil do governo brasileiro, o que significa que foi um educador cujas atividades foram profundamente permeadas por atividades políticas. Neste quadro, a UnB foi também um projeto educacional permeado por uma proposta política, que, não exatamente se explica pelo projeto político do seu primeiro Reitor, mas pelas circunstâncias históricas do projeto educacional de Anísio Teixeira.

Neste aspecto, é que se encontra a situação paradoxal, porque Darcy Ribeiro foi atraído pelo proposta social- trabalhista, que evoluiu no Brasil desde os anos 1930 /37 e, Anísio Teixeira ,o Vice Reitor , pretendia implementar em Brasília, uma cidade nova, infensa à tradição autonomista e comprometida com a cátedra vitalícia da universidade brasileira, mas suscetível a um modelo orgânico como as universidades americanas, onde por razoável tempo acompanhou a, sua formatação institucional e métodos e técnicas de ensino. A primeira tentativa de reformular a Universidade brasileira, por Anísio Teixeira, com outros educadores, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, com o apoio do Prefeito Pedro Ernesto com a criação da Universidade do Distrito Federal- UDF em 1935, tendo suas atividades encerradas em 1939, após a criação da Universidade do Brasil (1920/1931), como agrupamento de escolas isoladas Fundamentalmente, do ponto de vista de estrutura organizacional ,Anísio Teixeira entendia que era muito difícil integrar escolas que evoluíram como escolas isoladas .

Neste sentido, o mais conveniente seria criar institutos de áreas de conhecimento (ciências exatas, ciências biológicas, ciências sociais, artes) integrados organicamente, sendo que as disciplinas básicas eram seriam oferecidas em conjunto por diferentes ciclos básicos. Este modelo não exatamente acompanhava o sistema americano do norte onde as disciplinas, em tese, salvo situações especiais, eram (são) oferecidas por ciclos básicos de conhecimento, mas como disciplinas do todo orgânico das universidades .A formação curricular por área de conhecimento, somente seriam oferecidas depois de concluídas num determinado número de disciplinas ou obtido determinado volume de créditos combinada mente com eventuais disciplinas básicas obrigatórias por área de conhecimento.

Foi neste contexto que se deu o problema: a implementação deste modelo ocorre exatamente no momento em que o poder político veio a ser ocupado pelos sociais- trabalhistas, dentre os quais estava Darci Ribeiro e, por outro lado, como os Institutos que primeiro se organizaram eram aqueles da área de ciências sociais e artes, os professores convidados para a Universidade em criação eram professores que mais se aproximavam do social- trabalhismo ou eram professores dissidentes do tradicional sistema de ensino isolado, por razões de programas de disciplinas ou posicionamento social ou mesmo pela natureza crítica que já avançava nos cursos de arquitetura e artes, influenciados pelo modernismo que evoluíra mesmo da própria construção de Brasília.

Como se verifica esta é a situação paradoxal da Implantação da Universidade de Brasília, a causa essencial das crises de seus primeiros anos, que não só prenunciou a crise institucional brasileira que sucedeu após 1964
Finalmente, estava tão evidente a necessidade de se reordenar a estrutura universitária brasileira que em pleno governo militar, depois de sucessivas decisões do Conselho Federal de Educação modificando os currículos universitários. Na sequência foi alterada a estrutura das Universidades (Lei n° 5540 de1968) em pleno governo militar, senão exatamente como o modelo da UnB, mas também apoiada nos institutos e numa estrutura universitária integrada apoiada em departamentos ciclos básicos e sistema de créditos. Da mesma forma, posteriormente, muitas foram as resistências e alterações das escolas isoladas, através de Decretos, até que, por fim, nos anos de 1980, a Reforma foi aplicada superando o sistema de escolas públicas isoladas.




 







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